Regresso aos Treinos

Regresso aos Treinos Atribulado

Fiz o meu regresso aos treinos há três semanas, depois de uma paragem por lesão, que depois se estendeu um pouco mais. Foi cerca de um mês e meio de paragem. Até ia bem lançado e a evoluir de forma clara, mas enfim, os azares acontecem.

Claro que depois o retomar do processo não é fácil. Todos sabemos o que custa recuperar o ritmo e principalmente o que custam aqueles primeiros dias. Mas também é verdade, nunca nenhum regresso aos treinos é tão doloroso como o dia em que começámos mesmo a correr.

Adiante. Para além das dificuldades normais da situação, a minha primeira corrida desta nova fase foi muito curiosa, para ser simpático…

Preparação

Como é meu hábito, preparei o equipamento todo no dia anterior. Já sei que para sair de casa rapidamente, ou até para evitar possíveis arrependimentos, esta é mesmo a melhor maneira.

Juntei tudo em todo o seu esplendor. Até chamei o Sr. Agente da Policia Judiciária, aquele que arruma o material ilegal das apreensões, para depois tirar aquelas fotos espetaculares. Daquelas que se vêm nas redes sociais antes das provas.

Sapatos, meias, calças, t-shirt, camisola, colete refletor, Buff e GPS, que tinha bateria mais do que suficiente. Ou pelo menos julgava eu.

A noite foi atribulada. Quem tem filhos pequenos, sabe como as noites às vezes podem ser um desafio ainda maior que o dia! Acordei constantemente e depois demorava a adormecer. Sono de qualidade, portanto.

Às 5h55 lá tocou o despertador.

Estou a vestir-me na sala, com todo o cuidado para não fazer barulho, quando de repente, mais choro… “O que se passa? Vai lá outra vez para a cama que ainda é cedo”.

Finalmente saio de casa

São quase 6h40.

O GPS não liga. Os 40% de bateria da noite anterior sumiram-se misteriosamente! “Esquece”. Já tinha escolhido o percurso para o tempo que devia treinar, por isso não há problema.

Já estava atrasado. Aqueço mal e parcamente, com todos os riscos que isso pode trazer, e faço-me à estrada.

Primeiros passos, “espetáculo, isto afinal está mesmo a acontecer!”. Aos 10 metros, salto do passeio para o alcatrão para atravessar a estrada, e zás, em cheio numa poça. Como não estava frio que chegue! Mas o que é isso para um homem dos trilhos?! Nos trilhos molham-se os pés, ou dos pés à cabeça!

Bom, “vamos lá devagarinho que isto hoje não está para pressas”. Nem 200 metros passaram e acabaram-se logo os vagares. Andava um senhor a passear o cão sem trela, afinal era cedo e não estava ninguém na rua. O “canito”, que parecia mais um burro, não engraçou com o corredor e decidiu ativar o modo de perseguição. Lá tive eu que iniciar as manobras de diversão.

Afinal sempre se treina hoje

Acabado o interlúdio, lá começaram as pernas a queixar-se e o coração a perguntar: “Eh pá, não será cedo para andares aqui na rua nestes preparos?”.

O resto da corrida acabou por ser tranquilo. Claro que me senti preso e pesado, mas isso não vai demorar muito a passar.

Ainda não é o fim

Fiz os alongamentos ainda na rua e finalmente chego a casa. “É agora, vai ficar tudo bem, o descanso está à vista”. Levo a mão atrás das costas, onde fica um pequeno bolso no colete refletor. Primeira impressão: “Onde raio está o alto que aqui estava quando guardei as chaves?”. Acho que aqui o coração bateu mais depressa que no resto da corrida.

Pois é, comprar coletes refletores com bolsos nas costas, em superfícies comerciais cujo nome começa por L e acaba em L, se calhar não foi boa ideia. A parte de baixo do bolso descoseu-se, e as chaves deram o grito da independência. E agora?

Agora é pedir um esforço adicional às pernas e refazer o percurso de olhos no chão e rabo no ar…

Lá vou eu por ali fora a dizer mal da vida, quando um quilómetro e pouco depois, lá estavam elas. Já com sinais de atropelamento e fuga, mas felizmente nada que as impedisse de cumprir a sua função.

Banho e pequeno-almoço tomados, uma dorzinha boa nas pernas, tudo está bem quando acaba bem. Ainda está para vir o azar que me há-de fazer parar de correr!

 

Partilha connosco na área de comentários abaixo, quais foram as tuas saídas mais azaradas, ou que situações engraçadas já te aconteceram durante o treino.

Sobre Era Uma Vez No Trilho

Manuel Veigas é o autor do Era Uma Vez No Trilho. Descobre mais em SOBRE e nas redes sociais.

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