Estou Lesionado e Agora

Estou Lesionado, e Agora?

Estou lesionado! E revoltado, e inconformado, e frustrado, e outras coisas más acabadas em “ado”. E agora? Vou-me entregar sem luta, ou há solução para mim?

Eu gosto de acreditar que tudo tem solução, mesmo que possa haver momentos difíceis pelo caminho. E se hoje ainda não posso partilhar convosco a minha história de recuperação, de certeza que lá chegarei, e terei oportunidade de a contar. E o mesmo se há-de passar convosco!

Ainda que de forma um bocado abusiva, parece-me que as fases de encarar uma lesão se podem comparar com as fases da perda ou do luto. Que me desculpem os psicólogos e as pessoas que efetivamente passam por isso. Compreendo que é algo muito mais sério, só vou usar os nomes dos estados e nada mais.

Apesar de racionalmente estes estados poderem não vos fazer muito sentido, afinal todos somos fortes e sabemos lidar com as dificuldades, acabamos sempre por passar pelo menos por alguns deles durante os processos de lesão. Digam-me vocês se não é assim.

Negação

Quando a dor no joelho começou, andei duas semanas em negação. Fiz os treinos todos que estavam planeados, e em todos tive dores. Mas caramba, estava a iniciar uma nova fase, se calhar estava só meio “enferrujado”. A dor também faz parte do processo, é suposto aguentar.

Só pensava que aquilo não era nada e que ia acabar por passar. Afinal já tinha tido dores neste joelho antes e acabou sempre por passar. Mesmo quando já ia a coxear e a pensar como é que ia conseguir acabar o treino, não queria acreditar que isto pudesse ser um problema.

Raiva

Mas enfim, há limites para tudo. Se já ando há 15 dias nisto, se o joelho me inchou, se já nem consigo deixar de ter dores mesmo sentado… Tenho um problema. Lidar com ele é que não é fácil. Ter que voltar a parar, numa altura em que estava a retomar após outra lesão.

Estou lesionado, eu, que nunca tive lesões na vida! Mas porquê, e logo agora? Onde raio está a justiça disto tudo? O que é que eu fiz de mal? Já não vou conseguir ir à prova, e já nem vou a tempo de me devolverem o dinheiro…

Negociação

Foi preciso pedir ajuda. As palavras dos entendidos ajudam a passar a raiva e começa a aparecer a luz ao fundo do túnel. Já não estou sozinho, vou fazer os tratamentos e isto vai ficar bom. Preciso mesmo de parar? Afinal não é assim tão grave e se tiver cuidado estou aos saltos não tarda nada.

As dores estão a diminuir por isso brevemente vou poder regressar. Desta vez vou fazer melhor as coisas, seja lá o que isso for, e isto não vai voltar a acontecer. Já sei o que devo fazer e a partir de agora vai ser diferente.

Depressão

Mas quando os tratamentos já não ajudam a melhorar mais do que até aqui – e ainda lá está o problema. Quando são precisos mais exames para perceber qual é mesmo a lesão. Quando não se pode retomar um plano de treinos… Chega a desmotivação.

Aqui o “homem da marreta” ganha um novo significado e dá-te com ela na cabeça vezes sem conta. Já não me apetece fazer nada, ou sequer pensar em nada, nem me apetece escrever no blog. Parece que nada tem grande importância e os interesses não têm nenhum valor. Esta é a fase mais perigosa e que é urgente encurtar.

Aceitação

Quando te começas a levantar do desnorte, chega a aceitação. Já consegues ver as coisas em perspetiva e lidar melhor com toda a situação. Mas cuidado com as recaídas. Parece que estão ao virar da esquina para te levarem outra vez para o estado anterior.

Honestamente, acho que estou a chegar a esta fase. Tenho um problema, e não é o fim do mundo. O que é preciso é resolvê-lo e o mais rapidamente possível, para poder voltar em força. Já fui à consulta, já tenho o exame marcado e vamos lá para a frente com espírito positivo!

 

Não sou especialista no assunto, por isso o que me parece é que quanto mais depressa conseguirmos passar por estas fases melhor, mais rápido vamos recuperar e ficar bem. E muitos de nós nem passam por todas elas.

Estou lesionado, e quem sabe se não há mesmo males que vêm por bem. Apesar de ter perfeita noção que é importante, até ao final do ano passado sempre fiz pouco reforço muscular e exercícios específicos. Este ano disse-vos que ia ser diferente. Estou lesionado, e quem sabe se esta não é a oportunidade perfeita para fazer esse trabalho?

No imediato vou correr ou mesmo andar 30 minutos dia sim dia não, e nos outros dias fazer reforço muscular que não esteja relacionado com o joelho. Vou também pegar na minha bicicleta, que está parada há demasiado tempo, e prepará-la para voltar a andar. Pelo menos em teoria não é tão mau para os joelhos. Em paralelo com isto há que perceber qual é de facto a lesão.

Se estão a passar por algum período de lesão partilhem connosco a vossa experiência. Se já passaram por isto e têm a situação resolvida, partilhem ainda mais! Alguns de nós estão a precisar, eu estou. Obrigado.

Sobre Era Uma Vez No Trilho

Manuel Veigas é o autor do Era Uma Vez No Trilho. Descobre mais em SOBRE e nas redes sociais.

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